segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

IB Cap. 4 - O Céu que desaba


08/02, Terça, às 20:15 - Casa
Eu me ODEIO!
09/02, Quarta, às 23:30 - Casa
EU ODEIO A PUTA DA JAZZY!
–10/02, Quinta, às 00:10 - Casa
Não diário, eu não surtei(quase), e não me odeio(só um pouco), mas ainda odeio a Jazzy! Mas esses dias tem sido quase que insuportáveis. A começar pelo beijo que eu e o Lipe tivemos. FOI UM TOTAL ERRO! Acabamos de fazer as pazes e eu vou lá e estrago tudo DE NOVO. Jazzy me fuzilou com os olhos todos os 3 primeiros tempos de aula da terça-feira. A encarei mandando beijinhos pra ela, o que fez com que sua cara de nojo piorasse. Mas a situação reverteu no intervalo, pois encontrei Jazzy e Lipe conversando. Só que dessa vez era ela quem estava encostada na parede e ele dando em cima dela, rindo das suas piadinhas sem graça.
– Que má escolha hein, Felipe. - Comentou Gabs, do meu lado, enquanto estávamos paradas no corredor observando a cena.
– Não fala assim Gabi! Eu também não gosto dela, mas vai que eles estão apaixonados - Disse Celly, aos suspiros.
Elas ficaram esperando eu dizer algo, mas somente concordei. Eu sabia que não estavam apaixonados, e que o motivo daquilo poderia ser o que aconteceu na noite anterior. Nos últimos 3 tempos,azzy olhava pra mim com uma expressão de triunfo. Tentei não ligar, já que eles tinham apenas conversado. Na hora da saída, descobri que não era apenas uma conversa qualquer.
– Lipe, sobre ontem à noite... - Comecei, enquanto estávamos parados na porta do colégio.
– Me desculpe. Eu não devia ter feito aquilo. - Disse ele.
– Você não precisa pedir desculpas.
– Claro que eu preciso. Aquilo não era pra acontecer.
– E por que não se eu te am..
Ele tampou minha boca rapidamente antes que eu terminasse a frase.
– Não diga.
– E por que não!? - Perguntei, nervosa.
– Porque não é certo! - Ele disse um pouco auto demais
Senti uma pontada no peito quando ele disse aquilo, esmagando a esperança que tinha. Estava quase chorando, quando Jazzy apareceu.
– Vamos, Lipe? - Perguntou ela, sorrindo sedutora para o meu irmão.
– Claro. - Respondeu ele.
– Aonde vocês vão? - Perguntei, não acreditando no que estava acontecendo.
– Ao cinema. - Respondeu ela, me dando atenção só pra jogar na minha cara o seu triunfo.
– Avisa a minha mãe que vou chegar um pouco tarde hoje. - Disse ele, sério.
O único que pude fazer foi concordar e vê-los indo para o outro lado. Meu coração doeu muito. Mas a maior dor, foi por saber que a culpa era minha. Eu estraguei quando tudo já estava bem. E quarta-feira não foi melhor. Quando íamos ao refeitório (Eu, Gabs e Celly), me deparo com Felipe e Jazzy se beijando(!!) no corredor. Meu instinto foi de ir na direção deles e dar uma boa surra nela de tanta raiva que eu sentia. Só que por mais que eu estivera furiosa, não queria prejudicar o meu irmão. Jazzy me vendo no corredor veio correndo até nós toda sorridente.
– Vish, lá vem - Disse logo Gabs, pensando que Jazzy iria nos atacar.
– Eu não vim falar com você! - Desprezou Jazzy. - E sim com a minha cunhadinha - Disse ela pra mim, toda feliz.
Marcelly levou a mão a boca, surpresa, depois olhando pra mim, esperando minha reação(juntamente com a Jazzy). Ignorando as duas, fui em direção ao meu irmão.
– Isso é verdade? - Perguntei a ele, inexpressiva.
– Sim. - Confessou, não tendo coragem para olhar nos meus olhos.
– Então, meus parabéns. - Felicitei os dois sem tirar os olhos de Felipe, ainda sem expressão no meu rosto.
Dei meia volta, voltando pra sala de aula, passando pelas minhas amigas e Jazzy. Eu nunca quis tanto estar em casa como nesse dia, pois a volta pra casa foi terrível!! Jazzy não parava de falar com aquela voz fina e falsa. E ainda por cima, agarrada no meu irmão e chamando-o de "Lipe". EU chamo ele assim. Sei, diário, que é normal e talz esse apelido, mas quando eu digo, se traduz como "É MEU". Quando finalmente chegamos no portão de casa, Jazzy indicou com cabeça para a porta, me mandando entrar. Devolvi o gesto, só que na direção da rua, a mandando ir embora. Felipe notou, mas preferiu ignorar, apenas tossindo insinuando, também, que eu entrasse pra casa.
– Diz pra minha mãe que eu já cheguei. - Me pediu ele, olhando pro chão.
Tentei com todas as minhas forças esconder o meu desgosto. Não queria imaginar que do outro lado da porta, aquela garota estaria beijando o meu irmão.
– Você esta bem? - Me perguntou minha mãe, já que entrei em casa de cabeça baixa.
– Sim - Respondi,séria, virada de costas pra ela, em direção as escadas.
Estava a meia escada andada, quando parei pra encarar minha mãe.
– O Felipe já chegou - Disse a ela com a cara fechada
Corri até meu quarto e só sai pra jantar. Não vou mentir pra você dizendo que fiquei bem. Estou tão triste que esqueci de te dizer que hoje no recreio recebi uma surpresa. No recreio entre aspas, porque como Jazzy não desgruda do meu irmão no corredor, sou obrigada a comer na sala de aula.
– Conta Celly! - incentivou Gabs, enquanto comíamos em nossas carteiras.
– Contar o que? - Perguntei, sem entender.
– Ainda nãaoo... - Negou Marcelly
– Conta logo vai! - Insistiu Gabs.
– Gente! Contar o quê? - Exclamei, já muito curiosa.
– Estou namorando. - Respondeu Marcelly, envergonhada.
– Nossa... E porque você não me contou? - Perguntei a ela.
Não devia, mas me senti muito mal com isso.
– Ah... Você anda muito distraída, séria, e vejo que um pouco triste, eu não queria te preocupar. E não se importe, sei que você está assim porque seu irmãozinho mais novo esta namorando uma garota que você não gosta. Eu te entendo amiga. - Confessou ela enquanto segurava minha mão e me olhava docemente.
Primeiramente pensei que elas estavam progredindo e me deixando pra trás, mas percebi que não era assim. Eu é que não quis progredir, e as deixei de lado. Agora eu me sinto muito culpada! Pensei em contar a elas sobre minha paixão pelo meu irmão, só que por mais que eu as amasse e confiasse nelas, tive medo. Medo de não aceitarem e sentirem nojo de mim; Na hora da saída tive que ficar esperando, com Jazzy do meu lado, Lipe sair.
– E aiii, feliz com mais um membro na familia, cunhadinha? - Disse ela, tentando me provocar.
– Primeiro vai tomar no cu e segundo não precisa fazer seu teatrinho de puta que se importa com o que eu penso ou deixo de pensar.
– Você me chamou do que!? - Perguntou ela irritada. – E tanto faz se você gosta ou não, porque o Lipe, agora é meu. - Disse, arrogante.
– Quer saber garota... - Disse, indo pra cima dela, já de saco cheio.
– O que está acontecendo aqui? - Perguntou Felipe, chegando antes de eu fazê-la calar a boca.
– Nada! - Respondi, furiosa, indo sem eles.
– E-espera! Aonde você vai? Carol!! - gritou ele.
Quando olhei pra trás, vi que ele tentou vir atrás de mim, mas Jazzy o segurou pelo braço. Ele ficou parado, me vendo ir, a obedecendo; Poxa, eles estão lá fora se agarrando,(consigo ver tudo da janela do meu quarto), a essa hora e eu aqui perdendo meu sono, escrevendo no meu diário(Nada contra você diário).
Ps: Desculpe escharcá-lo novamente com as minhas lágrimas.

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