IB Cap. 9 - Dias de tormenta
13/02, Segunda, às 22:30 - casa.
Continuando o que comecei a escrever antes de jantar. Quando vi Felipe chegando do mercado em casa, fui até ele olhando em volta pra ver se minha mãe estava por perto, ele ficou me olhando envergonhado por alguns segundos, até que começou a falar:
– Cadê a minha mãe?
– Lá em cima no quarto dela. - Respondi, pensando que aquilo era o que eu menos queria falar naquele momento.
– Avisa a ela que eu cheguei com as compras. - Disse ele.
Agora, lembrando disso e escrevendo, percebo que ele estava tentando evitar ficar sozinho comigo. Mas nada me faria pensar isso depois do que aconteceu entre nós na noite anterior. No almoço de domingo comemos todos juntos. Eu, Lipe, Mamãe, Papai e sua namorada nova.
– Me falem crianças, como vocês estão indo no colégio? - Perguntou meu pai.
– Bem - Respondi.
– Bem - Disse, Felipe.
Meu pai vendo que o clima estava tenso na mesa de almoço, por causa da sua nova namorada, achou que aquele era o momento mais adequado para nos contar a novidade.
– Bom crianças... Como vocês bem sabem, eu e sua mãe não estamos mais "juntos" como antes. Mas mesmo assim, nada se concretizou e ainda estamos morando sobre o mesmo teto. E faz alguns dias, percebemos que isso não pode mais continuar depois das outras duas noticias que tenho para lhes contar. - Disse ele, depois vindo um enorme silêncio, que só o que podiamos escutar era o cachorro da vizinha latindo lá fora.
– Eu e Kátia vamos nos casar. - Disse nosso pai, segurando a mão da agora noiva dele.
– C-casar Pai?! Mas vocês só estão saindo a umas semanas! - Perguntou Felipe, um pouco exaltado.
– Sim... Mesmo nesse curto periodo de tempo, sei que a amo muito. - Respondeu meu pai devaga, olhando com carinho para Kátia. - E não tivemos outra escolha, depois que Kátia descobriu estar grávida. - Disse ele todo bobo. - E ontem eu e sua mãe fomos oficializar o divorcio.
Meu pai me chamou a atenção várias vezes no almoço, me perguntando o que eu achava daquilo. Mas não consegui dizer nada, pois só o que eu conseguia pensar foi nas quantas veses vi Kátia e se ela estava preparada pra ter um filho do meu Pai! Ai Caramba!! E se meu pai se mudar pra longe e criar esse filho longe de nós? Meu pai explicou tudinho pra gente. Ia se mudar para uma casa na mesma rua que nós e ainda iamos ter nosso cartão de crédito alto além da pensão alimenticia. Mas a pensão não nos importa muito, por que ela vai direto pro bolso da nossa mãe; No começo da tarde, lá pras 14:30, Jazzy aparece na minha casa pra chamar o Lipe pra sair.
– Mãe eu vou ali e já volto!! - Gritou ele, já na varanda.
– Vem logo Lipinho - Disse Jazzy.
– Não, ele não vai. - Disse eu, aparecendo na varando pra olhar nos olhos da Jazz.
– Iiih garota, cai fora. - Me respondeu ela, sem nem tentar esconder a cara de nojo.
– Lipe, você não vai. - Disse agora para Lipe, que me olhou sério.
– Carol... Vem cá. - Disse ele, me puxando para a cozinha deixando Fanny na varando esperando.
– Qual foi Lipe? Eu não quero você saindo mais com ela. - Disse eu pra ele, confiante que agora estariamos juntos depois do que aconteceu entre nós.
– Carol.... Esquece aquilo. Foi o pior erro da minha vida. Você é a minha linda irmã. Você é a mais velha, mas sempre cuidei de você como se fosse a mais nova. E olha a nossa Familia! Nosso Pai saindo a três semanas com uma mulher e agora vamos ter uma irmã. Não podemos piorar isso aqui, mais do que já está.
– N-não Felipe! Não faz isso comigo! E-eu pensei que agora ia ficar tudo bem... Que nós finalmente poderiamos estar juntos... Por favor, não fala isso! - Disse eu já com muitas lágrimas nos olhos.
Quando vi em seus olhos que ele continuaria me rejeitando, corri para meu quarto, não dando tempo dele me responder. Não sai do quarto até então. Estive chorando até d meia noite, enquanto via pela minha janela Lipe e Fanny se agarrando na varanda. Fiquei até 00:30 tentando dormir, indo algumas veses para a janela ver (pra me torturar) se Felipe já entrou pra casa. Numa dessas idas, vi um carro grande preto e bonito parar na porta de casa e sair de dentro dele um Cara, ele era bonito, devia ter uns 18 anos, tinha cabelos loiros, era forte. Do nada o cara começou a gritar e a empurrar Jazzy pra dentro do veículo. Desci correndo as escadas até a varanda pra ver o cara misterioso segurar o meu irmão pela gola da camisa, ameaçando socar ele.
Sem pensar duas veses me joguei contra o garoto entrando na frente do meu irmão, impedindo Lipe de apanhar.
– Não se mete garota! - Gritou o cara misterioso pra mim.
– Não! - Neguei também gritando.
– Se você não sair daí...!!! - Começou a ameaçar ele.
– Sai agora Carol!!! Isso não é uma brincadeira! - Disse Pelipe, me empurrando pra trás dele.
– Ata, pensei que ia se esconder atrás de uma garotinha! - Provocou o cara.
– Grrrh! Ah...seu Filho da p.. - Quando Lipe ia partir pra cima, Jazzy entra na frente do cara.
– NÃO! Parem os dois com isso!! - Interrompeu Jazzy.
– Ele não teve culpa, Justin! Quem quis fui eu! - Disse Jazzy, para o cara misterioso que agora eu sabia como se chamava.
– O que você fez Felipe?! E quem é ele?! - Perguntei gritando, confusa, para o Lipe.
– O irmão da Jazmyn - Respondeu somente, ignorando minha primeira pergunta.
– Eu te falo o que ele fez garota!! Ele COMEU A MINHA IRMÃ! - Gritou Justin, furioso.
Jazzy e seu irmão entraram no carro e foram embora. Eu e Felipe não conseguimos dizer nada um para outro... Também, o que poderiamos dizer? Dormi extremamente triste. Nada do que aconteceu até agora me fez sentir mais tristeza. Faltei hoje (segunda) no colégio. Celly e Gabs me ligaram pra saber se eu estava bem, e eu disse o mesmo que falei pra minha mãe: Passando mal. Depois liguei para Patrick e contei tudo a ele. Acho que ele está tomando raiva pelo Lipe, e não posso culpá-lo. E Patrick me deu uma ótima idéia.
– Amiga... Estou aqui pensando numa coisa... Porque você não arruma um namorado pra fazer ciúme nele? - Me perguntou Patrick
– Ahh eu já tentei mas olha o que aconteceu? Descobri que meu acompanhante era gay! - Respondi chorando.
– Então por que você não sai com mais um, faz ele virar gay e me apresenta ele? - Disse Patrick zoando.
– Patrick!!! - Respondi, passando de triste para triste e furiosa.
– Brincadeira, brincadeia, meu bem. É só que você não pode ficar correndo atrás dele. Ele é que tem que correr atrás de você.
– Eu sei, Eu sei... Mas eu o amo muiito... qualquer oportunidade ou brecha que ele me dá, eu já vou me jogando de cabeça. - Disse tristemente.
– Mas se você continuar assim, a situação não vai mudar. E esse tal Justin que você me falou agora pouco, que tal?
– Ah... Não sei Patrick... Só o vi uma vez e ele e Lipe não se gostam...
– Então! Por isso mesmo!!
Vou dormir diário, beijos.
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